Por que cachorro rola no chão em cima de cheiros estranhos

Publicado em 12/09/2026

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Imagem ilustrativa. Foto: autor não identificado, via Rawpixel (CC0 1.0).

Quem já levou um cão para passear e o viu se jogar de repente no chão, se esfregando com entusiasmo em cima de algo com cheiro forte, sabe que a cena costuma ser tão engraçada quanto constrangedora. Fezes de outros animais, carcaças, restos de comida podre, produtos com cheiro intenso: quanto mais desagradável o odor para o nariz humano, maior parece ser o interesse do cão em se cobrir com ele.

Esse comportamento, chamado de rolamento olfativo, tem raízes que remontam aos ancestrais selvagens dos cães. Uma das explicações mais aceitas é que rolar sobre um cheiro forte funciona como uma forma de camuflagem olfativa: ao se cobrir com o odor de outro animal ou de uma carcaça, o predador ancestral disfarçava seu próprio cheiro, o que poderia ajudar tanto na aproximação silenciosa de uma presa quanto na proteção contra outros predadores maiores, que teriam mais dificuldade de identificá-lo pelo faro.

Outra hipótese, que não exclui a primeira, é a de comunicação social. Cães têm um sistema olfativo extremamente sofisticado e usam cheiros como uma espécie de linguagem entre si. Ao se cobrir com um odor novo e interessante, o cão pode estar, de certa forma, “trazendo a notícia” para o grupo, uma maneira de compartilhar informações sobre o que encontrou pelo caminho, algo como levar para casa um relato químico da caminhada.

Também existe a leitura mais simples: cheiros fortes são, para o nariz canino, uma fonte riquíssima de informação, e alguns pesquisadores acreditam que rolar sobre eles pode ser simplesmente uma forma de prazer sensorial, parecida com a forma como cães adoram farejar tudo ao redor durante o passeio. O nariz do cão é capaz de perceber uma quantidade de detalhes que escapa completamente à nossa percepção, e aquilo que para nós é repulsivo pode representar, para ele, uma experiência sensorial rica e interessante.

Vale destacar que esse comportamento é instintivo e aparece mesmo em cães que nunca tiveram qualquer contato com um ambiente selvagem, filhotes criados exclusivamente dentro de casa também demonstram esse interesse assim que têm a oportunidade, o que reforça a ideia de que se trata de algo programado geneticamente, e não aprendido por observação.

Do ponto de vista prático, não há motivo de preocupação com a saúde do cão só por causa do comportamento em si, mas vale ficar atento ao que ele está rolando: fezes de outros animais e carcaças podem carregar parasitas, bactérias e vírus, o que reforça a importância da vacinação e da vermifugação em dia. E, claro, um bom banho depois do passeio costuma ser inevitável, ainda que o cão provavelmente não concorde que isso seja necessário.

Aviso: este é um conteúdo educativo e não substitui a avaliação de um médico-veterinário.

Conteúdo informativo. Não substitui a consulta veterinária presencial.