Por que cachorro fareja o próprio rabo e o de outros cães?
Publicado em 12/09/2026

Para quem observa dois cães se encontrando pela primeira vez, a cena costuma ser sempre a mesma: focinhos se aproximando de forma cuidadosa da região da cauda um do outro. O que para nós pode parecer estranho, ou até engraçado, é na verdade uma das formas mais sofisticadas de comunicação do mundo animal.
O olfato é, disparadamente, o sentido mais desenvolvido dos cães, muito mais aguçado que o nosso. E a região ao redor da cauda concentra as glândulas anais, estruturas que produzem uma secreção com um “perfil químico” único para cada cão, algo como uma impressão digital olfativa. Ao farejar essa região, um cão consegue captar informações detalhadas sobre o outro animal: sexo, idade aproximada, estado de saúde, nível de estresse e até informações relacionadas ao ciclo reprodutivo, no caso das fêmeas.
Esse comportamento é, na prática, o equivalente canino de uma apresentação social. Assim como humanos trocam nome, idade e algumas informações básicas ao se conhecerem, cães trocam esse tipo de dado através do faro. É por isso que interromper bruscamente esse momento, puxando a guia de forma repentina durante o cheiro mútuo, pode gerar frustração ou até insegurança no cão, já que ele não teve tempo de completar a “leitura” do outro animal.
O mesmo princípio explica por que os cães também cheiram o próprio corpo, incluindo a região da própria cauda, e outros pontos de marcação urinária pelo ambiente. Cheirar a urina deixada por outros cães em um poste ou árvore, por exemplo, funciona como ler um verdadeiro mural de recados: quem passou por ali, há quanto tempo, e às vezes até informações sobre o estado emocional do outro animal.
Vale lembrar que, embora esse comportamento seja natural, nem todo cão se sente confortável sendo cheirado dessa forma por um desconhecido, assim como nós também temos limites de proximidade física. Observar a linguagem corporal de ambos os cães durante o encontro, orelhas, postura e movimento da cauda, ajuda o tutor a identificar se a interação está tranquila ou se algum dos animais está desconfortável.
Da próxima vez que seu cão parar para cheirar outro animal com tanta dedicação, vale lembrar que aquilo não é só curiosidade: é uma conversa acontecendo em uma linguagem que, para eles, é tão rica quanto a fala é para nós.
Aviso: este é um conteúdo educativo e não substitui a avaliação de um médico-veterinário.
Conteúdo informativo. Não substitui a consulta veterinária presencial.
