Por que cachorro come as próprias fezes (coprofagia)?

Publicado em 12/09/2026

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Imagem ilustrativa. Foto: Clementina, via Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0).

Poucos comportamentos caninos causam tanto desconforto nos tutores quanto ver o próprio cão comendo as próprias fezes, ou as de outros animais. Apesar de causar estranhamento e até nojo genuíno, a coprofagia, nome técnico para esse comportamento, é bem mais comum do que a maioria das pessoas imagina, e tem explicações que vão de aspectos puramente comportamentais a questões de saúde que merecem investigação.

Do ponto de vista comportamental, uma das explicações mais aceitas remete novamente aos ancestrais selvagens dos cães. Fêmeas lobas e cadelas, na natureza, costumam ingerir as fezes dos próprios filhotes durante as primeiras semanas de vida, como uma forma de manter a toca limpa e reduzir o cheiro que poderia atrair predadores até a ninhada. Esse comportamento instintivo, embora tenha uma função clara na fase inicial da vida, às vezes permanece presente, ou reaparece, mesmo na vida adulta do cão, sem qualquer necessidade real associada.

Outros fatores comportamentais que podem influenciar a coprofagia incluem tédio e falta de estímulo mental, especialmente em cães que passam muito tempo sozinhos em ambientes pouco enriquecidos; ansiedade, principalmente em cães que foram repreendidos de forma intensa por acidentes de eliminação dentro de casa, o que pode levá-los a “esconder” as evidências comendo as próprias fezes; e simples imitação de comportamento, em filhotes que observam cães adultos da casa fazendo o mesmo.

Do ponto de vista de saúde, algumas condições também podem estar associadas ao comportamento, incluindo dietas com deficiências nutricionais específicas, problemas de má absorção intestinal que fazem com que as fezes ainda contenham nutrientes parcialmente não digeridos e atrativos para o olfato canino, e certas condições que aumentam artificialmente o apetite do animal. Por isso, quando a coprofagia é um comportamento novo, ou vem acompanhada de outras alterações, como mudança no apetite, perda de peso ou alteração na consistência das fezes, vale investigar com o veterinário antes de assumir que é apenas comportamental.

Para reduzir o comportamento no dia a dia, algumas estratégias práticas ajudam: remover as fezes do ambiente rapidamente, antes que o cão tenha oportunidade de ingeri-las; garantir estímulo físico e mental adequado ao longo do dia; e, em alguns casos, o veterinário pode indicar suplementos específicos que alteram o sabor das fezes, tornando-as menos atrativas.

Embora seja um comportamento desagradável para nós, a coprofagia raramente representa risco real à saúde do cão, mas vale sempre conversar com o veterinário para descartar causas subjacentes e discutir estratégias de manejo.

Aviso: este é um conteúdo educativo e não substitui a avaliação de um médico-veterinário.

Conteúdo informativo. Não substitui a consulta veterinária presencial.