O olfato canino é usado para detectar Covid-19: entenda a ciência por trás

Publicado em 12/09/2026

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Imagem ilustrativa. Foto: Marion Michele, via StockSnap (CC0 1.0).

Durante a pandemia, um grupo de pesquisas ao redor do mundo testou uma hipótese que, à primeira vista, soava quase inacreditável: será que cães treinados conseguiriam identificar pessoas infectadas pela Covid-19 apenas pelo cheiro? Os resultados de vários estudos independentes surpreenderam até os próprios pesquisadores, mostrando taxas de acerto elevadas, em alguns protocolos comparáveis ou até superiores aos testes rápidos disponíveis na época.

A lógica por trás dessa capacidade está na forma como o corpo humano reage a uma infecção viral. Quando o organismo enfrenta uma doença, o metabolismo celular muda, e essas mudanças geram compostos orgânicos voláteis que são liberados através do suor, da respiração e de outras secreções. Esses compostos formam uma espécie de assinatura química da doença, imperceptível ao olfato humano, mas plenamente detectável por um nariz canino, equipado com centenas de milhões de receptores olfativos e uma área do cérebro dedicada ao processamento de odores muito mais desenvolvida do que a nossa.

Os cães utilizados nessas pesquisas passaram por um treinamento de reforço positivo, no qual aprendiam a associar o cheiro específico de amostras de suor ou saliva de pacientes positivos a uma recompensa. Depois de treinados, muitos desses cães conseguiam distinguir amostras positivas e negativas em poucos segundos, sem contato direto com a pessoa, o que também representava uma vantagem em termos de triagem rápida e não invasiva em locais como aeroportos e eventos com grande fluxo de pessoas.

Esse tipo de aplicação não é exatamente novo: cães farejadores já eram usados havia anos para detectar outras condições de saúde, e a Covid-19 apenas acelerou o interesse científico pelo tema, gerando mais financiamento e mais estudos controlados sobre a capacidade olfativa canina aplicada à triagem de doenças.

O uso desses cães em escala ampla nunca chegou a substituir os testes laboratoriais tradicionais, e a proposta sempre foi complementar, não substitutiva. Ainda assim, o episódio deixou um legado importante: reforçou, com evidência científica robusta, algo que tutores já intuíam havia muito tempo, o olfato canino é uma ferramenta biológica extraordinária, com aplicações que a medicina ainda está longe de esgotar.

Aviso: este é um conteúdo educativo e não substitui a avaliação de um médico-veterinário.

Conteúdo informativo. Não substitui a consulta veterinária presencial.