Como funciona o olfato do cachorro e por que ele é tão mais sensível que o nosso
Publicado em 12/09/2026

O faro do cão é, sem dúvida, um dos superpoderes biológicos mais impressionantes do reino animal, e entender como ele funciona ajuda a explicar boa parte do comportamento canino no dia a dia, desde a empolgação ao farejar um poste até a facilidade com que alguns cães são treinados para detectar substâncias específicas ou até identificar variações sutis no odor corporal humano associadas a doenças.
Anatomicamente, a diferença começa dentro do próprio nariz: enquanto os humanos têm uma quantidade relativamente pequena de receptores olfativos, os cães possuem uma quantidade muito maior desses receptores, distribuídos em uma área nasal proporcionalmente muito mais extensa. Além disso, a estrutura interna do nariz canino é dividida de um jeito que permite que parte do ar inspirado seja direcionado exclusivamente para a análise de cheiros, enquanto outra parte segue para a respiração normal, um sistema que otimiza a capacidade de captar odores mesmo durante a respiração comum.
Outro diferencial está na área do cérebro dedicada ao processamento de informações olfativas, que é proporcionalmente muito maior nos cães do que em humanos. Isso significa que, além de captar mais informação olfativa, o cérebro canino também é mais especializado em interpretar, comparar e lembrar dessas informações, o que ajuda a explicar por que cães conseguem reconhecer pessoas, outros animais e lugares principalmente pelo cheiro, muitas vezes antes mesmo de vê-los.
Há ainda um órgão sensorial adicional, o órgão vomeronasal, localizado no céu da boca, que capta principalmente feromônios, substâncias químicas relacionadas à comunicação social e reprodutiva entre animais. É por isso que, às vezes, um cão bate levemente os dentes ou lambe o ar ao farejar algo especialmente interessante, como urina de outro cão: é uma forma de levar essas moléculas até o órgão vomeronasal. Em gatos e cavalos, o comportamento equivalente, com a boca entreaberta, é chamado de flehmen.
Essa capacidade sensorial tão desenvolvida explica também por que o passeio, para o cão, é muito mais do que exercício físico: cada poste, cada arbusto, cada pedacinho de calçada carrega uma quantidade enorme de informação sobre quem passou por ali, há quanto tempo, e até em que estado emocional estava o outro animal. Permitir que o cão fareje livremente durante parte do passeio, e não apenas caminhar em ritmo acelerado sem pausas, é uma forma importante de enriquecimento mental, já que estimula uma das capacidades sensoriais mais centrais da espécie.
Compreender essa diferença de percepção ajuda a explicar também por que alguns comportamentos considerados “estranhos” pelos humanos, como cheirar excessivamente um visitante ou farejar por longos minutos o mesmo ponto da calçada, fazem todo sentido do ponto de vista canino: para eles, o mundo é lido, em grande parte, pelo nariz.
Aviso: este é um conteúdo educativo e não substitui a avaliação de um médico-veterinário.
Conteúdo informativo. Não substitui a consulta veterinária presencial.
