Cães capazes de sentir o campo magnético da Terra: o que a pesquisa descobriu
Publicado em 12/09/2026

A ideia de que cães possuem alguma forma de sensibilidade ao campo magnético da Terra pode parecer saída de um estudo sobre aves migratórias, mas pesquisas relativamente recentes vêm investigando justamente essa possibilidade em relação aos cães, e alguns achados curiosos já foram publicados, mesmo que o tema ainda esteja longe de ser totalmente compreendido.
Um dos estudos mais conhecidos, publicado em 2013 na revista Frontiers in Zoology com 70 cães, observou o comportamento de cães durante o ato de urinar e defecar em espaços abertos, e encontrou uma tendência estatisticamente significativa de os animais se posicionarem preferencialmente ao longo do eixo norte-sul magnético, especialmente em condições de campo magnético mais estável. Esse tipo de alinhamento espontâneo é um dos sinais clássicos que os cientistas procuram quando investigam a chamada magnetorrecepção, a capacidade de sentir e se orientar pelo campo magnético terrestre, já bem documentada em outras espécies, como aves migratórias, tartarugas marinhas e alguns peixes.
Outra linha de pesquisa, publicada na revista eLife em 2020 com cães de caça, investigou a capacidade de cães de encontrarem o caminho de volta para casa em terrenos desconhecidos, usando rastreadores de GPS, e observou padrões de deslocamento que sugeriam o uso de algum tipo de bússola interna, complementando o uso do olfato, especialmente em situações nas quais o cão retornava por um caminho diferente do que havia percorrido inicialmente.
Ainda assim, é importante manter a cautela científica: esses estudos, embora interessantes, envolveram amostras relativamente pequenas de animais e ainda precisam ser replicados em maior escala para que a magnetorrecepção canina seja considerada um fato cientificamente estabelecido, e não apenas uma hipótese promissora. O mecanismo biológico exato por trás dessa possível sensibilidade também ainda não foi identificado com clareza em cães, diferente do que já se sabe sobre outras espécies.
De qualquer forma, esse campo de pesquisa reforça um ponto interessante: mesmo depois de milhares de anos de convivência próxima com os humanos, os cães ainda guardam capacidades sensoriais que a ciência está apenas começando a mapear com mais profundidade, mais um lembrete de que sempre há algo novo para aprender sobre esses companheiros tão familiares e, ao mesmo tempo, tão surpreendentes.
Aviso: este é um conteúdo educativo e não substitui a avaliação de um médico-veterinário.
Conteúdo informativo. Não substitui a consulta veterinária presencial.
