O curioso caso dos gatos que adotam filhotes de outras espécies

Publicado em 12/09/2026

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Imagem ilustrativa. Foto: Andrew Branch, via StockSnap (CC0 1.0).

Entre os comportamentos mais surpreendentes já documentados no reino animal está a adoção espontânea de filhotes de outras espécies por gatas, um fenômeno relativamente raro, mas registrado em diferentes contextos ao longo dos anos, envolvendo desde filhotes de cães até esquilos, coelhos e outros pequenos animais órfãos.

Esse comportamento está relacionado a um instinto maternal poderoso, mediado principalmente por alterações hormonais que ocorrem no corpo da fêmea durante e após a gestação. Quando uma gata está no período de lactação, ou mesmo logo após perder a própria ninhada, o organismo permanece em um estado hormonal que favorece o comportamento de cuidado maternal, incluindo a produção de leite e a resposta protetora a filhotes indefesos. Em alguns casos, esse estado hormonal parece ser suficiente para que a gata “adote” um filhote de outra espécie que apresente sinais que ativem esse instinto, como vocalizações agudas semelhantes às de filhotes felinos ou comportamento de busca por proteção.

Casos assim costumam acontecer com mais frequência em ambientes onde diferentes espécies convivem de perto, como fazendas, abrigos de animais ou lares com múltiplos pets, e em situações nas quais o filhote órfão foi encontrado em um momento em que a gata estava emocionalmente disponível para exercer esse papel. Vale destacar que esse comportamento não é garantido nem previsível, depende de uma combinação de fatores individuais, hormonais e ambientais que nem sempre se repetem.

Do ponto de vista da adaptação do filhote adotado, os resultados também variam bastante. Em alguns casos documentados, o animal cresceu desenvolvendo comportamentos aprendidos com a mãe adotiva, como parte do repertório social e até de higiene, o que reforça o quanto o aprendizado social nos primeiros meses de vida é importante para o desenvolvimento comportamental de diferentes espécies.

Esses casos, embora emocionantes, não devem ser vistos como uma alternativa planejada de cuidado interespécies, já que a saúde do filhote órfão depende de nutrição específica da própria espécie, algo que o leite de gata nem sempre supre adequadamente a longo prazo. Ainda assim, servem como um lembrete bonito de que o instinto de cuidado, em algumas circunstâncias, consegue atravessar as barreiras entre espécies diferentes.

Aviso: este é um conteúdo educativo e não substitui a avaliação de um médico-veterinário.

Conteúdo informativo. Não substitui a consulta veterinária presencial.