Gatos formam vínculos de apego com humanos como os cães? O que mudou na visão científica
Publicado em 12/09/2026

Por muito tempo, a visão predominante, inclusive dentro da própria ciência do comportamento animal, era a de que gatos formavam vínculos com humanos essencialmente por conveniência, associados ao fornecimento de comida e abrigo, sem o mesmo tipo de apego emocional profundo observado em cães. Essa visão, no entanto, vem sendo revisada de forma significativa nos últimos anos, à medida que estudos mais rigorosos sobre o comportamento felino são conduzidos.
Um dos estudos mais influentes nessa mudança de perspectiva aplicou aos gatos uma versão adaptada do teste da “Situação Estranha”, originalmente desenvolvido para avaliar apego em bebês humanos e depois usado também com cães. Os resultados mostraram que a maioria dos gatos avaliados demonstrou padrões de apego seguro em relação ao tutor, buscando proximidade e conforto na presença dele em um ambiente novo e reduzindo comportamentos de estresse ao seu retorno, um padrão comportamental notavelmente semelhante ao observado tanto em cães quanto em crianças humanas nesse mesmo tipo de teste.
Esse achado ajudou a desafiar a ideia de que gatos seriam emocionalmente mais “distantes” do que cães, sugerindo, em vez disso, que a diferença está mais na forma de expressão do vínculo do que na presença ou ausência dele. Gatos tendem a comunicar apego de maneiras mais sutis e menos demonstrativas, como permanecer em um cômodo próximo ao tutor sem buscar contato físico direto, esfregar-se levemente contra as pernas, ou seguir a rotina da casa de forma discreta, em vez das saudações efusivas típicas dos cães.
A evolução da visão científica sobre esse tema também reflete um avanço metodológico importante: estudos mais antigos sobre comportamento felino muitas vezes usavam critérios de avaliação de apego desenhados originalmente para cães ou humanos, sem considerar as particularidades da comunicação felina, o que provavelmente subestimava a presença de vínculos reais. Pesquisas mais recentes, que consideram os sinais específicos de comunicação da espécie, têm revelado uma vida emocional felina mais rica e conectada do que se supunha anteriormente.
Essa mudança de perspectiva tem implicações práticas importantes para tutores: entender que o gato forma, sim, vínculos de apego genuínos ajuda a interpretar de forma mais precisa mudanças de comportamento associadas à ausência do tutor ou a alterações na dinâmica familiar, e reforça a importância de cuidar da qualidade dessa relação com a mesma atenção que se dedicaria a qualquer outro vínculo afetivo significativo dentro de casa.
Aviso: este é um conteúdo educativo e não substitui a avaliação de um médico-veterinário.
Conteúdo informativo. Não substitui a consulta veterinária presencial.
