Cães de terapia em hospitais: como funciona e por que faz diferença nos pacientes

Publicado em 12/09/2026

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Imagem ilustrativa. Foto: autor não identificado, via Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0).

Visitar um hospital costuma ser uma experiência associada a ansiedade, dor e um ambiente clínico que, por mais bem cuidado que seja, raramente transmite conforto emocional. É nesse contexto que o trabalho dos cães de terapia tem ganhado espaço crescente, com evidências cada vez mais consistentes de seu impacto positivo sobre pacientes em diferentes contextos de internação e tratamento.

Cães de terapia passam por um processo de seleção e treinamento específico, que avalia temperamento estável, tolerância a manipulação por pessoas desconhecidas, calma diante de estímulos imprevisíveis (como equipamentos hospitalares, cadeiras de rodas ou movimentos bruscos) e ausência de reatividade excessiva. Diferente de cães de assistência, que são treinados para tarefas específicas de auxílio a uma pessoa com deficiência, os cães de terapia trabalham em visitas estruturadas, sempre acompanhados de um condutor, com o objetivo de proporcionar bem-estar emocional a diferentes pacientes ao longo de uma rotina de visitas.

Os efeitos observados nesses programas são mensuráveis em diversas frentes. Estudos em ambientes hospitalares registraram redução da percepção de dor e ansiedade em pacientes durante e após visitas de cães de terapia, além de mudanças fisiológicas como redução da pressão arterial e da frequência cardíaca em muitos casos. Em contextos oncológicos e de reabilitação, a interação com o cão também tem sido associada a maior engajamento dos pacientes em atividades terapêuticas, algumas vezes usada inclusive como incentivo para que pacientes em recuperação física, como após uma cirurgia ortopédica, se movimentem mais durante a fisioterapia.

Parte do mecanismo por trás desse efeito envolve os mesmos processos discutidos em outros contextos, liberação de ocitocina, redução do cortisol e distração positiva da dor ou do ambiente clínico estressante. Mas há também um componente emocional específico do ambiente hospitalar: a presença de um cão de terapia rompe, por alguns minutos, a atmosfera clínica e formal do hospital, trazendo um elemento de normalidade e afeto que muitos pacientes descrevem como profundamente reconfortante em um momento de vulnerabilidade.

Programas de cães de terapia também têm se expandido para contextos além dos pacientes, incluindo apoio emocional a familiares em salas de espera e, em alguns hospitais, até suporte à própria equipe de saúde em turnos de alto estresse. O crescimento desses programas reflete um reconhecimento cada vez maior, dentro da própria medicina, de que o cuidado com a saúde vai além do tratamento clínico direto, e que o bem-estar emocional é parte legítima e mensurável do processo de recuperação de um paciente.

Aviso: este é um conteúdo educativo e não substitui a avaliação de um médico-veterinário.

Conteúdo informativo. Não substitui a consulta veterinária presencial.