Cães têm apego parecido com o de crianças pequenas? O que a ciência mostra

Publicado em 12/09/2026

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Imagem ilustrativa. Foto: autor não identificado, via Rawpixel (CC0 1.0).

A cena é familiar para qualquer tutor de cão: o animal se aproxima quando o dono chega em casa, busca contato visual em momentos de incerteza e parece genuinamente perturbado quando fica sozinho por muito tempo. Não é coincidência que pesquisadores da cognição canina tenham começado a se perguntar se esse comportamento se parece, de alguma forma estrutural, com o apego que crianças pequenas desenvolvem em relação aos cuidadores.

A resposta, segundo estudos que aplicaram aos cães uma metodologia originalmente desenvolvida para observar bebês humanos, conhecida como “situação estranha”, é surpreendentemente positiva. Nesses experimentos, cães foram colocados em um ambiente novo junto com o tutor, depois com um estranho, depois sozinhos, e assim por diante, observando como reagiam a cada transição. Os resultados mostraram padrões de comportamento notavelmente parecidos com os observados em crianças pequenas: os cães usavam o tutor como uma “base segura” a partir da qual exploravam o ambiente, demonstravam sinais claros de desconforto na ausência dele e buscavam contato preferencial assim que ele retornava, mesmo na presença de um estranho amigável.

Isso não significa, é importante frisar, que a mente de um cão funcione de forma idêntica à de uma criança, ou que o processo cognitivo por trás desse apego seja exatamente o mesmo. O que a pesquisa sugere é que, ao longo de milênios de convivência e domesticação, os cães desenvolveram um sistema de vínculo social que, funcionalmente, cumpre um papel parecido: buscar proximidade e segurança junto a uma figura de referência, especialmente em momentos de estresse ou incerteza.

Esse tipo de descoberta ajuda a explicar, de forma mais concreta, fenômenos que os tutores já observavam empiricamente há muito tempo, como a ansiedade de separação, que pode ser entendida, em parte, como uma resposta de um sistema de apego que não está lidando bem com a ausência da figura de vínculo principal.

Entender essa semelhança também traz implicações práticas: assim como acontece com crianças, a forma como o vínculo é construído nos primeiros meses de vida, com previsibilidade, resposta consistente às necessidades e experiências positivas de socialização, parece influenciar diretamente a segurança emocional do cão adulto, incluindo sua capacidade de lidar melhor com momentos de separação e novidade ao longo da vida.

Aviso: este é um conteúdo educativo e não substitui a avaliação de um médico-veterinário.

Conteúdo informativo. Não substitui a consulta veterinária presencial.