Gato sente saudade do dono quando ele viaja?
Publicado em 12/09/2026

Por muito tempo, existiu a crença popular de que gatos seriam animais mais independentes emocionalmente, praticamente indiferentes à ausência do tutor. Estudos mais recentes de comportamento animal, no entanto, têm demonstrado um quadro bem diferente: os gatos, sim, podem sentir os efeitos da ausência prolongada de seus tutores, ainda que expressem isso de forma diferente dos cães.
Pesquisas na área de cognição e vínculo felino já identificaram que muitos gatos desenvolvem um tipo de apego com seus tutores que se assemelha, em vários aspectos, aos padrões de vínculo observados entre crianças pequenas e seus cuidadores. Isso significa que a presença do tutor funciona, para muitos gatos, como uma fonte de segurança emocional, e a ausência prolongada dessa figura de referência pode gerar mudanças perceptíveis de comportamento.
Entre os sinais mais comuns associados a essa resposta à ausência estão alterações no apetite, tanto redução quanto, em alguns casos, aumento da busca por comida; mudanças no padrão de sono; comportamento mais vocalizador do que o habitual quando o tutor retorna; aumento de comportamentos de marcação, como esfregar o rosto com mais intensidade nos objetos e móveis da casa; e, em alguns casos mais intensos, comportamentos que podem ser confundidos com birra, como arranhar móveis ou urinar fora da caixa de areia, sinais que, na verdade, costumam estar relacionados ao estresse gerado pela ausência prolongada e pela quebra de rotina.
É importante diferenciar essas respostas emocionais de um quadro mais estruturado de ansiedade de separação, que embora menos estudado e documentado em gatos do que em cães, também existe e pode se manifestar com sinais mais intensos, como vocalização excessiva antes da saída do tutor, tentativas de impedir a saída, ou comportamento destrutivo direcionado especificamente a objetos com o cheiro do tutor.
O grau dessa resposta varia bastante conforme o temperamento individual de cada gato, o histórico de vida, especialmente experiências anteriores de abandono ou mudanças frequentes de ambiente, e o próprio padrão de vínculo estabelecido com aquele tutor específico. Alguns gatos demonstram sinais claros de saudade ou desconforto com a ausência prolongada; outros parecem, de fato, mais indiferentes, o que reflete a enorme variação individual de personalidade dentro da espécie.
Para tutores que precisam se ausentar por períodos mais longos, algumas estratégias ajudam a minimizar esse impacto: manter a rotina de alimentação e limpeza da caixa de areia através de alguém de confiança, deixar objetos com o próprio cheiro espalhados pelo ambiente, e, quando possível, contar com câmeras interativas ou visitas regulares, garantindo que o gato mantenha algum grau de estímulo e presença familiar mesmo na ausência física do tutor.
Aviso: este é um conteúdo educativo e não substitui a avaliação de um médico-veterinário.
Conteúdo informativo. Não substitui a consulta veterinária presencial.
